O pai nerd

Preparando a Geração Z para o mundo
  • scissors
    20/07/2010Confessionais

    Violeta

    Violeta da Rosa Träsel nasceu às 8h13 do dia 12 de julho de 2010, no hospital Divina Providência, com 48 centímetros e 2.815 grama de pura fofura. O nome dela é uma homenagem à minha querida bisavó.

    Mais sobre essa empolgante aventura assim que eu adquirir a capacidade de digitar e trocar fraldas ao mesmo tempo.

    Tags: , ,
  • scissors
    25/06/2010Cultura

    A banda Hevisaurus é um bom começo, apesar do keytar ser meio poser:

    Tags: , , ,
  • scissors

    Do branco

    Eu sou um pai de muita sorte. Na sexta-feira, a minha filha estreou como bailarina, ainda dentro da barriga da mamãe. O espetáculo é uma celebração da obra coreográfica de Eva Schul, uma das artistas de dança moderna mais importantes do Rio Grande do Sul, senão do Brasil. A Tati fez parte do grupo Ânima e agora está dançando de novo esse solo de 1994.

    A foto é de Sofia Schul.

    Tags: , , , , , ,
  • scissors
    10/06/2010Cultura

    Alguns pais nerds não se contentam em filmar as gracinhas espontâneas dos filhos. Em vez disso, recriam clássicos da alta cultura mundial:

    Já o pai responsável pelo vídeo abaixo, o produtor de cinema Patrick Boivin, é o que pode ser classificado como Übernerd:

    Tags: , , , , , ,
  • scissors
    04/06/2010Tecnologia

    Ontem a Zero Hora publicou uma reportagem sobre a tendência dos pais a preferirem manter os filhos em frente ao computador do que mandá-los à rua brincar. Fui um dos entrevistados pela repórter Lívia Meimes sobre o assunto, mas o espaço num jornal impresso é limitado e nem todas as respostas acabam entrando. Como a matéria a essa altura está embrulhando peixe, publico aqui a íntegra da entrevista.

    Existem vantagens no uso da Internet pelas crianças?

    A noção de que uma criança em frente ao computador está isolada socialmente é ingênua. A Internet é, antes de tudo, uma ferramenta de comunicação. Através dela, a criança pode encontrar pessoas que compartilhem de seus interesses em qualquer lugar do mundo. Nem sempre os vizinhos e colegas vão gostar de literatura, por exemplo, e o computador permite à criança acessar comunidades de leitores de, digamos, Harry Potter e perceber que não é uma uma estranha por gostar de livros. O tempo despendido na Internet pode ter um resultado essencial para o desenvolvimento do ser humano: encontrar a si mesmo.

    O acesso às redes sociais também permite à criança entrar em contato com pessoas de todos os tipos e, inclusive, ter a experiência de colaborar ou entrar em conflito com os outros. Os pais ficam receosos quando ouvem falar de trocas de ofensas no Orkut e outros serviços semelhantes, por exemplo, mas essa pode ser uma boa forma de treinar a resolução de conflitos com um pouco mais de segurança.

    E quais seriam as desvantagens de privilegiar o computador em relação à rua?

    Ao privilegiar o computador em detrimento da rua, os pais deixam de formar um cidadão completo. A cidadania acontece no espaço público, no contato com a diferença de opiniões, origens e culturas. Crianças que têm pouco contato imediato com as diferenças sociais acabam se tornando adultos medrosos e, portanto, intolerantes. Porém, o computador não é o único problema aqui. Não adianta muito tirar a criança da frente do computador para levar ao shopping center e outros espaços socialmente higienizados.

    Os pais podem estar usando o computador como babá eletrônica?

    É possível, mas nesse caso é uma babá muito melhor do que a televisão, a antecessora dos computadores nesse cargo. O computador dá muito mais autonomia às crianças do que a TV. Elas podem decidir o que querem ver ou fazer, em vez de terem de contentar com a programação oferecida pelas emissoras. Além disso, o computador é uma ferramenta que permite às crianças produzir em vez de consumir. Se bem orientadas, elas podem criar vídeos, músicas, desenhos, textos e muitas outras coisas interessantes usando o computador. O computador pode ser um mero substituto da TV no papel de babá eletrônica, ou pode se tornar um professor eletrônico. Cabe aos pais assumirem a responsabilidade por transformá-lo num ou noutro.

    Tags: , , , ,
  • scissors
    17/05/2010Consumo, Cultura, Educação

    O Rogério Christofoletti, outro pai nerd, se viu com o mesmo problema que tenho enfrentado: encontrar bons livros sobre puericultura e pedagogia. Ele sugere Sob Pressão, de Carl Honoré, um ativista do Movimento Slow. Para quem quiser ter uma idéia da proposta de puericultura vagarosa, vale a pena ler essa entrevista com Honoré. Abaixo, um trecho traduzido por mim:

    Paternidade Slow é trazer equilíbrio para o lar. As crianças devem lutar e se esforçar por seu próprio bem, mas isso não significa que a infância tenha de ser uma corrida. Pais Slow dão a seus filhos tempo e espaço o bastante para explorar o mundo em seu próprio ritmo. Eles mantém a agenda familiar sob controle, de modo que todo mundo tenha tempo livre para descansar, refletir e estar junto. Eles aceitam que se virar do avesso para dar aos filhos o melhor de tudo pode não ser sempre a melhor política (porque isso priva os filhos de uma lição de vida muito mais útil, que é como aproveitar melhor o que você já tem). Paternidade Slow significa permitir que nossas crianças descubram quem elas são, em vez de quem nós gostaríamos que elas fossem. Significa deixar as coisas acontecerem, em vez de intervir e forçá-las. Significa aceitar que os tipos mais ricos de aprendizado e experiência muitas vezes não podem ser medidos ou apresentados lindamente num currículo. Pais Slow entendem que a puericultura não deve ser uma mistura de competição esportiva e desenvolvimento de produto. Não é um projeto; é uma jornada. Paternidade Slow é dar às crianças muito amor e atenção, sem impor condições.

    Tags: , , , , ,
  • scissors
    27/04/2010Cultura

    O blog Curious Pages faz resenhas algo sarcásticas de livros infantis americanos. As críticas abordam tanto a história quanto as ilustrações, sob o mote “recomendações de livros infantis inapropriados”. O autor é o escritor e jornalista George Saunders.

    Apropriadamente, o cabeçalho traz Struwwelpeter, personagem que dá nome a uma coletânea de historietas alemãs de cunho pedagógico, publicada em 1845 por Heinrich Hoffmann. Struwwelpeter é um garoto que nunca penteia os cabelos, não corta as unhas e não toma banho, o que torna sua aparência abjeta.

    Struwwelpeter

    Este livro pode estimular as crianças a refletir sobre a história de Harriet e os fósforos (ela ignora os avisos de não brincar com os mesmos e termina como um montinho de cinzas) ou de Conrad, o chupador de dedão (cujo apêndice é finalmente cortado pelo alfaiate do tesourão).

    Desde antes de estarmos grávidos, tenho comprado os livros infantis interessantes que encontro, especialmente os mais esquisitos ou desafiadores. Andei comprando inclusive alguns em língua estrangeira, que resenharei oportunamente. O Struwwelpeter já está na biblioteca da pequena senhorita Da Rosa Träsel.

    Tags: , , , , , , , ,
  • scissors
    16/04/2010Gravidez

    O Boing Boing publicou um artigo sobre a vida intra-uterina dos bebês. Descobri que o primeiro sentido a se desenvolver é o tato. Depois, a gustação e o olfato. A audição é o quarto sentido a se desenvolver e a visão, o quinto. O exercício dos sentidos é importante na gestação, porque desenvolve a rede neural necessária para levar estímulos dos receptores até o cérebro — e para desenvolver o próprio cérebro.

    Conforme algumas pesquisas, os bebês reconhecem a voz da mãe após o nascimento. Parece inclusive que podem distinguir linguagens, ou ao menos famílias de linguagens, preferindo a língua nativa dos pais. Alguns psicólogos afirmam até mesmo que os bebês identificam frases de livros lidos em voz alta pelos pais enquanto se encontravam no útero, mas aí já fica difícil de acreditar.

    Uma das nossas maiores surpresas é ver o quanto os bebês se movimentam no útero. Imaginávamos que sentiríamos um chutezinho aqui e outro ali — com sorte, um por dia. Foi uma surpresa perceber que a cada minuto se pode sentir um movimento da criança. Maior surpresa ainda descobrir que dá para “acordar” o bebê falando perto do umbigo ou cutucando a barriga. Embora possa ser apenas uma falsa impressão, levando-me a a pensar como aqueles donos de cachorro que enxergam comportamentos humanos em qualquer interação do bichinho.

    Seja como for, falar com a barriga é um dos maiores prazeres da gravidez. Posso ficar horas falando as mesmas bobagens que se diz para bebês extra-uterinos, afagando e beijando a barriga — sim, tenho a esperança de que a menininha reconheça minha voz quando nascer. Outra coisa legal é encostar o rosto e esperar receber um chutezinho do bebê. É o mais perto que o pai consegue chegar.

    Tags: , , , ,
  • scissors
    06/04/2010Gravidez, Saúde

    Uma das dúvidas que nós tivemos foi realizar ou não uma amniocentese, para descobrir se o bebê é portador de trissomia do cromossomo 21 ou do 18, hemofilia, espinha bífida, anencefalia, galactosemia, doença de Tay-Sachs e uma lista que compõe um show de horrores de problemas fetais. Nossa preocupação era devida principalmente ao fato de a Tati ter mais de 35 anos, caso em que a amniocentese é indicada, pois o risco de defeitos cromossômicos aumenta com a idade.

    Não foi fácil tirar a dúvida, principalmente porque os médicos não costumam ser claros quanto aos benefícios de realizar o exame. Pesquisando um pouco e usando o bom senso, concluímos o seguinte: a amniocentese só é útil para pais que pretendam abortar um feto defeituoso. Se não for o caso, o risco de provocar o aborto de um feto viável é, a nosso ver, excessivamente alto. Em geral, entre 0,5% e 1% das mulheres sofrem complicações na gravidez por causa da amniocentese.

    De fato, um risco de 0,0001% já me pareceria alto demais. Não tínhamos a menor intenção de interromper a gravidez, porqueamávamos loucamente a criança desde que era apenas um grão de arroz. Defeitos congênitos são graves, sabemos, mas não conseguimos nos imaginar amando menos a criança por ela ser portadora de Down ou outro tipo de síndrome. O pior cenário seria um caso de anencefalia ou coisa do gênero, mas estamos mais dispostos a lidar com as consequências disso do que com a possibilidade de perder um filho saudável apenas para ter certeza.

    Além disso, o resultado do exame de translucência nucal nos deixou extremamente confiantes na saúde do bebê. Trata-se de uma ecografia que mede certas estruturas do feto, como o tamanho da nuca, da ponte nasal e outros aspectos anatômicos relacionados com doenças cromossômicas. Deste exame sai uma estimativa dos riscos de o feto ser portador de algum tipo de síndrome. Em nosso caso, os riscos ficaram muito abaixo do 0,5% de chances de perder a criança no procedimento de amniocentese. A translucência nucal infelizmente não dá certeza sobre a saúde do feto, mas a partir daí é uma questão de estatística. É mais racional aceitar um risco de 0.01% de ter um filho com síndrome de Down do que aceitar o risco de 0,5% de não ter filho algum.

    Então, os pais confrontados com a questão de realizar ou não a amniocentese devem se fazer essas duas perguntas:

    • O risco de o feto desenvolver algum tipo doença congênita é maior do que 0,5%?
    • Caso a amniocentese estabeleça que o feto é portador de algum síndrome, pretendemos interromper a gravidez?

    Não há tratamento possível para nenhuma das síndromes verificadas pela amniocentese. Portanto, o exame serve apenas para dar certeza sobre a saúde do feto aos pais. Não é um benefício desprezível. Muita gente, mesmo pais sem nenhum intenção de interromper a gravidez, não consegue conviver com a incerteza. A meu ver, porém, trata-se de uma falsa sensação de segurança, que os médicos se esforçam pouco em esclarecer.

    A paternidade é sempre um risco. Viver, afinal, é estar permanentemente em risco. Posso milimetrar minha filha com todos as formas de investigação do corpo oferecidas pela medicina, mas não posso garantir que, mesmo nascendo saudável, ela não cresça apenas para se viciar em crack e ser abortada em vida. A imagem é horripilante, mas a possibilidade está aberta, porque a existência é imprevisível. Tentar controlar todos os fatores só pode gerar sofrimento psíquico para pais e filhos. Ter certeza sobre a saúde do feto é melhor do que ficar em dúvida, claro, mas esse dado não vale o risco de uma complicação na gravidez.

    Não sou contra a amniocentese. Sou contra é submeter-se ao exame sem refletir. Algumas pessoas o fazem sem pestanejar, simplesmente porque consideram insuportável a incerteza. A medicina é ou deveria ser baseada em fatos científicos. Qualquer decisão exige, portanto, raciocínio sobre seus custos e benefícios. Outras pessoas fazem a amniocentese porque o médico pediu. Esse é o caso mais grave. Se o médico solicita a amniocentese e não explica sobre os riscos e as ações a serem tomadas a partir dos resultados, está infringindo o princípio ético da autonomia do paciente. Se o paciente não exerce seu direito de questionar a segurança de um procedimento invasivo como este, está sendo irresponsável.

    A reticência da maioria dos médicos quanto à amniocentese talvez resida no fato de a única ação “terapêutica” possível no caso de um exame com resultado desfavorável ser o aborto. A lei brasileira não prevê o aborto em casos de más-formações fetais, portanto qualquer sugestão dessa possibilidade pode ser encarada como indicação de um procedimento ilegal. Além disso, ao ouvir do médico que as opções são preparar-se para carregar o fardo imposto pela vida ou interromper a gravidez, alguns pacientes podem tomar a exposição como uma indicação. A população tem uma certa tendência a achar que precisa “fazer alguma coisa a respeito” de qualquer problema de saúde, muitos podem acreditar não terem alternativa a não ser o aborto.

    No entanto, a falta de clareza pode levar o paciente a tomar ações irrefletidas. Médicos muitas vezes estão ocupados demais para se preocupar com a questão da autonomia. Levantar assuntos difíceis e responder às perguntas leva muito tempo. No caso da amniocentese, porém, acredito ser essencial explorar todos os aspectos envolvidos na tomada de decisão, porque ela pode levar a situações irreversíveis.

    Em nosso caso, recebemos apenas evasivas do obstetra, quando perguntamos se ele recomendava a amniocentese a partir dos resultados da translucência nucal. Nenhuma informação espontânea sobre os riscos do procedimento, nem muito menos sobre os benefícios. Se não houvéssemos pesquisado e perguntado sobre isso, o médico não teria nos explicado — e apenas explicou, não ofereceu nenhum tipo de orientação, nem mesmo a observação de que os riscos de anomalia eram dezenas de vezes menores do que os riscos da amniocentese. É um absurdo que contribuiu, inclusive, para a decisão de mudar de obstetra.

    Tags: , , , , , , ,
  • scissors
    23/03/2010Moda

    Pai nerd que é pai nerd vasculha a Web à caça de brinquedos e roupinhas que insiram a criança nesse universo desde cedo — e de quebra afirmem a vasta cultura inútil do abobado chefe da família. Por exemplo, a roupinha da Threadless que encomendei esses dias:

    Roupinha de bebê

    Porque, afinal, como os automóveis, as crianças servem para expor a personalidade dos pais.

    Tags: , , , ,
  • « Anteriores