O pai nerd

Preparando a Geração Z para o mundo
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    20/07/2010Confessionais

    Violeta

    Violeta da Rosa Träsel nasceu às 8h13 do dia 12 de julho de 2010, no hospital Divina Providência, com 48 centímetros e 2.815 grama de pura fofura. O nome dela é uma homenagem à minha querida bisavó.

    Mais sobre essa empolgante aventura assim que eu adquirir a capacidade de digitar e trocar fraldas ao mesmo tempo.

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    Do branco

    Eu sou um pai de muita sorte. Na sexta-feira, a minha filha estreou como bailarina, ainda dentro da barriga da mamãe. O espetáculo é uma celebração da obra coreográfica de Eva Schul, uma das artistas de dança moderna mais importantes do Rio Grande do Sul, senão do Brasil. A Tati fez parte do grupo Ânima e agora está dançando de novo esse solo de 1994.

    A foto é de Sofia Schul.

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    24/02/2010Confessionais, Gravidez

    Nenhum título para o primeiro texto de um blog dedicado à experiência de ser pai é mais adequado do que esse título-padrão criado como teste pela equipe de desenvolvimento do WordPress.

    Em novembro de 2009, descobrimos que a Tati está grávida. Em um instante, o instante após ler o resultado do exame na Web, toda a minha perspectiva sobre a vida mudou.

    Fui percebendo aos poucos. O primeiro sinal foi uma resistência ainda mais forte a cruzar qualquer rua com o semáforo para pedestres fechado ou fora da faixa de segurança. A princípio, senti-me um tanto bobo. Ontem, atravessava a avenida Protásio Alves com a mãozinha vermelha acesa, se os próximos carros estivessem a uma distância segura. Hoje, nenhuma distância me parece suficientemente segura.

    Minha vida não é mais apenas minha. Todas as minhas ações passaram a ser condicionadas pela existência de um embrião com pouco mais de dois milímetros. Um grão de arroz. Um grão de arroz embebido em arsênico teria menos efeito sobre minha existência do que um grão de arroz alojado no útero da minha mulher.

    Quem diz que o homem não está preparado para a paternidade não é homem, ou não tem filhos.

    Um conjunto de números relativos a um hormônio presente no sangue da Tati, apresentados numa tela eletrônica, fez disparar meu sentido de autopreservação. Também fez disparar meus níveis de felicidade. Estou mais apaixonado que nunca pela vida. Embora esteja preocupado em ter condições físicas e materiais de criar meu filho, essa preocupação vem acompanhada de uma confiança inédita no mundo.

    Vai dar certo. Nenhum revés parece capaz de me abalar. Farei o que for preciso e isso é tudo. Se o mundo for tomado por uma praga zumbi e os mortos-vivos cercarem meu prédio, não vacilarei: vou tranquilamente preparar todas as armas caseiras possíveis do Anarchist Cookbook e arrancar as cabeças desmortas que ousarem cruzar a porta de casa. Se tiver de limpar fossas para o resto da vida, para alimentar meu filho, vou até assoviar enquanto trabalho.

    Se tem homens por aí que não parecem preparados para a paternidade, a culpa não é da biologia e talvez até seja um pouco da cultura narcisista contemporânea, mas é principalmente um problema de personalidade individual. Não há como um homem emocionalmente saudável não se sentir o maior dos homens ao saber que será pai.

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